Vertentes da Umbanda

As Umbandas dentro da Umbanda
Após pouco mais de 100 anos de fundação oficial da Umbanda pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, a religião cresceu e se diversificou, dando origem a diferentes vertentes que têm a mesma essência por base: a manifestação dos espíritos para a caridade.

O surgimento dessas diferentes vertentes é conseqüência do grau com que as características de outras práticas religiosas e/ou místicas foram absorvidas pela Umbanda em sua expansão pelo Brasil, reforçando o sincretismo que a originou e que ainda hoje é sua principal marca.

A classificação a seguir não é fruto de um consenso entre os umbandistas, nem é adotada por Conselhos de Umbanda, assim como não lista todas as vertentes da religião, porém, classifica as principais vertentes existentes e/ou que influenciaram a orientação de outras vertentes de Umbanda.

 

Umbanda Branca

Também conhecida como Linha Branca de Umbanda e Demanda, Umbanda Tradicional, Umbanda de Mesa Branca, Umbanda de Cáritas, e Umbanda do Caboclo das Sete Encruzilhadas, é a vertente fundamentada pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, por Pai Antônio e Orixá Malê, através do seu médium, Zélio Fernandino de Morais (1891 – 1975), surgida em São Gonçalo, RJ, em 16/11/1908, com a fundação da Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade.

Considera que orixá é um título aplicado a espíritos que alcançaram um elevado patamar na hierarquia espiritual, os quais representam, em missões especiais, de prazo variável, o alto chefe de sua linha. É pelos seus encargos comparável a um general: ora incumbido da inspeção das falanges, ora encarregado de auxiliar a atividade de centros necessitados de amparo, e, nesta hipótese fica subordinado ao guia geral do agrupamento a que pertencem tais centros. Acredita que existam 126 orixás, distribuídos em 06 linhas espirituais de trabalho. Os altos chefes de cada uma dessas seis linhas recebem o nome de um orixá nagô, embora não sejam entendidos como nas tradições africanas, existindo uma forte vinculação deles aos santos católicos.

Considera a existência de sete linhas de trabalho: 

  • Oxalá (onde inclui os espíritos que se apresentam como Crianças)
  • Iemanjá
  • Ogum
  • Oxóssi
  • Xangô
  • Iansã
  • Santo ou das Almas (onde inclui as almas recém-desencarnadas, os exus coroados, os exus batizados e as entidades auxiliares).

 

Os trabalhos são realizados principalmente por Caboclos(as), Pretos(as) Velhos(as) e Crianças e não há giras para Boiadeiros, Baianos, Ciganos, Malandros, Exus e Pombagiras.

Em sua ritualística se destaca a roupa branca como única vestimenta usada pelos médiuns durante as sessões, onde encontra-se o uso de guias, imagens, fumo, defumadores, velas, bebidas e pontos riscados nos trabalhos, porém os atabaques não são utilizados nas cerimônias.

Nesta vertente os principais livros de fontes doutrinárias são: “O livro dos espíritos”; “O livro dos médiuns”; “O evangelho segundo o Espiritismo”; e “O Espiritismo, a magia e as sete linhas de Umbanda”.

 

Umbanda Kardecista


Também conhecida como Umbanda de Mesa Branca, Umbanda Branca, e Umbanda de Cáritas, é a vertente com forte influência do Espiritismo, geralmente praticada em centros espíritas que passaram a desenvolver giras de Umbanda junto com as sessões espíritas tradicionais. É uma das mais antigas vertentes, porém não existe registro da data e do local inicial em que começou a ser praticada.
 
Nesta vertente não existe o culto aos Orixás nem aos santos católicos, bem como não são existem linhas como forma de agrupar as entidades. Os trabalhos de Umbanda são realizados apenas por Caboclos(as), Pretos(as) Velhos(as) e, mais raramente, Crianças.

A roupa branca é a única vestimenta usada pelos médiuns durante as giras e não são encontrados o uso de guias, imagens, fumo, defumadores, velas, bebidas e atabaques. Esta vertente usa os seguintes livros como principais fontes doutrinárias: “O livro dos espíritos”; “O livro dos médiuns”; “O evangelho segundo o Espiritismo”.

 

Umbanda Mirim

 
Também chamada de Aumbandã, Escola da Vida, Umbanda Branca, Umbanda de Mesa Branca e Umbanda de Cáritas é a vertente fundamentada pelo Caboclo Mirim através do seu médium Benjamin Gonçalves Figueiredo (1902 – 1986), surgida no Rio de Janeiro em 13/03/1924, com a fundação da Tenda Espírita Mirim.

Os principais focos de divulgação dessa vertente são a Tenda Espírita Mirim (matriz e filiais) e o Primado de Umbanda, fundado em 1952.

Nesta vertente não existe o culto aos santos católicos e os Orixás foram reinterpretados de maneira totalmente distinta das tradições africanas, não havendo nenhuma vinculação dos mesmos com elas. Considera a existência de nove Orixás: Oxalá, Ogum, Oxóssi, Xangô, Obaluaiê, Iemanjá, Oxum, Iansã e Nanã.

Considera a existência de sete linhas de trabalho:  

  • Oxalá
  • Iemanjá (onde inclui Iemanjá, Oxum, Iansã, Nanã)
  • Ogum
  • Oxóssi
  • Xangô
  • Oriente (onde agrupa as entidades orientais) 
  • Yofá (onde agrupa os Pretos-Velhos e as Pretas-Velhas)
 

Os trabalhos são realizados principalmente por Caboclos(as), Pretos(as)-Velhos(as) e Crianças e não há giras para Exus e Pombagiras, uma vez que estes últimos não são considerados trabalhadores da Umbanda e sim da Quimbanda.

A roupa branca com pontos riscados bordados é a única vestimenta usada pelos médiuns durante as giras e encontra-se o uso de fumo, defumadores e a imagem de Jesus Cristo nos trabalhos, porém as guias, velas, bebidas, atabaques e demais imagens não são usados nas cerimônias, havendo o uso de termos de origem tupi para designar o grau dos médiuns nelas.

 

Umbanda Omolocô

 

Também conhecida como Umbanda Traçada é fruto da "umbandização" de antigas casas de Omolocô. Embora não exista registro da data e do local inicial de suas práticas, começou a ser fundamentada pelo médium Tancredo da Silva Pinto (1904 – 1979) em 1950, no Rio de Janeiro, RJ.
Os principais focos de divulgação dessa vertente são: os noves livros escritos por Tancredo da Silva Pinto; as tendas criadas por seus iniciados; e o livro “Umbanda Omolocô”, escrito por Caio de Omulu.

Nesta vertente encontra-se um forte sincretismo dos Orixás com os santos católicos, sendo que aqueles estão vinculados às tradições africanas, principalmente as do Omolocô. Considera a existência de nove Orixás: Oxalá, Ogum, Oxóssi, Xangô, Obaluaiê, Iemanjá, Oxum, Iansã e Nanã.

Considera como linha de trabalho cada tipo de entidade: Linha de Caboclos(as), Linha de Pretos(as)-Velhos(as), Linha de Crianças, Linha de Baianos, etc, onde os trabalhos são realizados por diversas entidades: Falangeiros de Orixá, Caboclos(as), Pretos(as)-Velhos(as), Crianças, Boiadeiros, Baianos(as), Marinheiros, Sereias, Ciganos(as), Exus, Pombagiras e Malandros(as).
Embora a roupa branca seja a vestimenta principal dos médiuns, essa vertente aceita o uso de roupas de outras cores pelas entidades, bem como o uso de complementos (tais como capas e cocares) e de instrumentais próprios (espada, machado, arco, lança, etc.). Nela encontra-se o uso de guias, imagens, fumo, defumadores, velas, bebidas, cristais, incensos, pontos riscados e atabaques nos trabalhos. 

Nesta vertente também são utilizadas algumas cerimônias de iniciação e avanço de grau semelhantes à forma como são realizadas no Omolocô, incluindo o sacrifício de animais.

 

Umbanda de Angola

 

Também conhecida como Umbanda Almas e Angola ou Umbanda Traçada assemelha-se a Umbanda Omolocô sendo fruto da "umbandização" de antigas casas de Almas e Angola, porém sem registros de data e  local inicial de suas práticas.

Nesta vertente encontra-se um forte sincretismo dos Orixás com os santos católicos, sendo que aqueles estão vinculados às tradições africanas, principalmente as do Almas e Angola. Considera a existência de nove Orixás: Oxalá, Ogum, Oxóssi, Xangô, Obaluaiê, Iemanjá, Oxum, Iansã e Nanã.

Considera a existência de sete linhas de trabalho: 

  • Oxalá
  • Povo d’Água (onde inclui Iemanjá, Oxum, Nanã e Iansã)
  • Ogum
  • Oxóssi
  • Xangô
  • Beijadas (onde agrupa as Crianças) 
  • Almas (onde inclui Obaluaiê e agrupa os Pretos-Velhos e as Pretas-Velhas)
 

Os trabalhos são realizados por diversas entidades: Falangeiros de Orixá, Caboclos(as), Pretos(as)-Velhos(as), Crianças, Boiadeiros, Baianos(as), Marinheiros, Exus e Pombagiras.

Embora a roupa branca seja a vestimenta principal dos médiuns, essa vertente aceita o uso de roupas de outras cores pelas entidades, bem como o uso de complementos (tais como capas e cocares) e de instrumentais próprios (espada, machado, arco, lança, etc.). Nela encontra-se o uso de guias, imagens, fumo, defumadores, velas, bebidas, cristais, incensos, pontos riscados e atabaques nos trabalhos. 

Nesta vertente também são utilizadas algumas cerimônias de iniciação e avanço de grau semelhantes à forma como são realizadas no Almas e Angola, incluindo o sacrifício de animais.