Iansã

Na mitologia Yorubá, o nome Oyá provém do rio de mesmo nome na Nigéria, onde seu culto é realizado, atualmente chamado de rio Níger. 
 
Iansã, Nhasam, Inhansã ou Oyá é uma divindade das águas como Oxum e Iemanjá, mas também é relacionada ao elemento ar, sendo uma das divindades que ao lado de Ayrá e Afefê controla os ventos. Costuma ser reverenciada antes de Xangô, como o vento personificado que precede a tempestade. .
 
   O orixá Oyá como é chamada sua manifestação jovem é o mesmo orixá Iansã, em sua forma mais madura. 
 
  É o primeiro orixá feminino a ser cultuada na hierarquia Jêje- Ijexá e está associada aos ventos, raios e tempestades. Também rege a sexualidade feminina e, por conseguinte, a sedução e as paixões; é a “dona do teto” e da "panela", portanto muito respeitada entre os adeptos das religiões afro-brasileiras.
 
  Oyá também está relacionada ao culto dos mortos e pelo fato de dominar os Eguns (mortos), é sempre invocada quando o problema se trata de uma possível perturbação causada por esses espíritos. 
 
   Essa associação com os  mortos gera conflito em relação a origem dessa crença: de um lado a tradição onde se conta que Oyá recebeu de Xangô a incumbência de guiar os mortos a um dos nove céus de acordo com suas ações; de outro lado a tradição que conta que Iansã teria recebido esse domínio de Nanã, orixá Jêje, reconhecida como a mais velha das mães d'água.
 
   De qualquer forma é saudada como "Iya mesan lorun", título referente a incumbência recebida como guia dos mortos.
 
   Algumas tradições afirmam que o nome Iansã significa a "mãe dos nove filhos" numa referência aos nove filhos de Iansã, contudo, existem outras tradições que ressaltam que Iansã seria um título que Oyá recebeu de Xangô. Esse título faria referência ao entardecer, e segundo o qual, Iansã pode ser traduzido como a "mãe do entardecer". Xangô a chamava de Iansã pois dizia que Oyá era radiante como o entardecer. 
 
Por ser um orixá diretamente associado a Ogum, é cultuada muitas vezes nos mesmos lugares e em companhia deste orixá, Nas lendas provenientes do candomblé, Iansã foi mulher de Ogum e depois de Xangô, seu complemento por natureza. 
 
Iansã é sincretizada com Santa Bárbara de forma geral em todo o Brasil e tem sua data festiva em 04 de dezembro, dia consagrado a santa católica. No Candomblé seu dia é quarta-feira  e suas cores podem variar entre o marrom, o vermelho e o rosa, dependendo da tradição seguida. 
 
No Batuque do Rio Grande do Sul (Nação) suas cores são predominantemente a combinação do vermelho com o branco, porém, dependendo da Nação podemos observar uma predominância do vermelho, assim como o uso do laranja para algumas "Oyás". Seu número é o sete e o seu dia da semana a terça-feira por estar também associada a Xangô.
 
Na liturgia da Umbanda, Iansã é a senhora dos ventos, das tempestades e senhora dos eguns - os espíritos dos mortos - menos cultuados no Candomblé. Seu dia é terça-feira juntamente com Xangô e suas guias variam nas cores laranja (coral), vermelho, o rosa e em casos de umbanda mais antiga, o amarelo.

 

Referências

Federação Espírita de Umbanda - Rio de Janeiro: Jornal do Comércio, 1942
BOFF, Leonardo. Avaliação teológico-crítica do sincretismo. Vozes, 1977
BASTIDE, Roger. As religiões africanas do Brasil - 1978
SALES, Nívio Ramos. Rituais Negros e Caboclos. Da origem, da crença e prática do candomblé, pajelança, catimbó, umbanda, jurema e outros. Rio de Janeiro: Pallas, 1986
GONÇALVES DA SILVA, Vágner. Orixás da Metrópole. Vozes, 1995
VERGER, Pierre Fatumbi. Notas sobre o culto aos orixás e voduns. Ed.EDUSP, 1998
VERGER, Pierre Fatumbi. Orixás. Ed. Corrupio, 2002
OLIVEIRA, José Motta de. Das Macumbas à Umbanda – Uma Análise Histórica da Construção de Uma Religião Brasileira. Ed. do Conhecimento, 2008